Parei em frente ao velho grupo e o fotografei, agora havia um silencio contínuo que incomodava e, eu ali parado, viajei no tempo: subi correndo os degraus da entrada principal e fui direto para a sala de aula, as crianças falavam todos ao mesmo tempo quebrando o silencio da sala e a professora tentava soletrar bala: ba-la, respondeu o Joãozinho:
─ Fessora, eu sei: um B com A é Bê a Bá e um L com A é Lê a Lá: BA-LA é BANANA. Alguns caíram na risada e outros nada entenderam.
Eu subi na carteira e recitei o verso que no dia anterior, no dia das mães, uma grande festa na escola, para a minha querida mãe recitei:
"Aurora Chega;
Vejo a cor do arrebol;
Ao lado vejo a mãezinha;
Quando o surgir do sol".
Carreguei esses versos por toda a minha vida, lembro-me ainda das palmas e dos sorrisos, como lembro também do meu primeiro dia de aula aos quatro anos de idade, do banho a que minha mãe me submetia para ir limpo à escola. Das crianças, na maioria primos e outros parentes, mas todos muito próximos, das correrias em torno da escolar, das andorinhas barulhentas que faziam seus ninhos no telhado e dos castigos na secretaria.
Uma tapera agora me faz recordar um ambiente cheio de vida.
Não entendo porque em um lugar tão pequeno, um povoado, um grupo fora construído e o antigo abandonado, caindo aos pedaços sem aproveitar mesmo os tijolos e as telhas, tudo se perdendo... O dinheiro público não tem mesmo nem um valor! Por que construíram um outro grupo quando seria muito mais fácil reformar o antigo?
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